Reino Metazoa - Filo Cnidaria
FILO
CNIDARIA


O
filo Cnidaria reúne os cnidários, animais aquáticos de corpo mole e gelatinoso
cujos representantes mais conhecidos estão situados no ambiente marinho, sendo
eles as águas-vivas, as anêmonas-do-mar e os corais. Há aproximadamente 11 mil
espécies de cnidários registradas, sendo a maioria de água salgada e apenas uma
“parcela” de água doce (rios e lagos). Algumas espécies, ainda, são parasitas
externos de peixes.
Tais
indivíduos são mais variados que seus “parentes” mais próximos, os poríferos,
pois é a partir desse filo que a noção de TECIDO será amplamente utilizada para
a classificação dos animais. Enquanto o filo Porifera não possui tecidos
verdadeiros, o filo Cnidaria já possui células epiteliais, por exemplo. Isso
tudo ocorre devido às diferenças evidenciadas nos desenvolvimentos embrionários
dos respectivos animais, como veremos posteriormente.
Como
conhecimento de uma grande parcela da população (sendo isso, então, quase um
senso comum), esses animais são caracterizados pela séria e até moral irritação
que causam em nós, seres humanos, e em outros animais, quando entramos em
contato com seus tentáculos. Estes liberam uma determinada substância por meio
de células urticantes que causam o desconforto.
Um
interessante exemplo de “cnidário mortal” supramencionado e que demonstra muito
bem a frase “tamanho pode não ser um problema”, e a espécie Chironex fleckeri (vespa do mar) de aproximadamente
20 centímetros (embora existam espécies dessa classe com maiores tamanhos), cujos
tentáculos podem atingir 5 metros de comprimento. Tal ser injeta uma toxina que
pode causar parada cardíaca ou um colapso cardiovascular em questão de
instantes, se o banhista não morrer por afogamento antes, já que a dor da “picada”
é tão intensa, que o momento posterior à infecção torna-se insuportável, fato
que promove um estresse e a subsequente perda de controle tanto emocional
quanto fisicamente por parte da vítima.
1. Características

·
Animais de corpo mole ou gelatinoso;
·
Marinhos ou aquáticos;
·
Algumas espécies parasitas;
·
Possuem células especiais que causam ardência, os cnidoblastos (apomorfia desse filo);
·
Podem ser sésseis, nadar ativamente ou flutuar ao
sabor das correntes;
![]() |
| Cnidoblasto |


![]() |
Caravela portuguesa - colônia de cnidários flutuante![]() |
·
Primeiro grupo de metazoários (eumetazoários) a
apresentar tecidos verdadeiros (epiderme
e gastroderme);

·
Organismos diblásticos;
·
Simetria radial;
·
Organismos dióicos;
·
Primeiro filo a apresentar sistema nervoso (tipo
difuso);
·
Primeiros organismos a apresentarem boca
(originária do blastóporo da gástrula) e um intestino primitivo (cavidade gastrovascular – originário do
arquêntero);

·
Têm tentáculos que circundam a boca;
·
Classificação: Hidrozoa,
Anthozoa, Sciphozoa, Cubozoa;
·
Digestão começa no meio extracelular (enzimas na
cavidade gastrovascular) e termina intracelularmente;
·
Forma corporal: pólipo e/ou medusa.
2. Organização corporal
![]() |
| pólipo |
![]() |
| medusa |
·
PÓLIPO: Lembra um cilindro, fixo ao substrato com o
topo livre, onde se situam a boca e os tentáculos. São sésseis.
Ex: Anêmonas-do-mar.
·
MEDUSA: Lembra um guarda-chuva, com a boca em
posição central. Ao redor da boca e nas bordas do corpo podem haver tentáculos.
Ex: Águas-vivas.
*Ectoderme do Embrião: origina
a epiderme, com células epitélio-musculares (células mioepiteliais); função –
Proteção e movimento.
*Endoderme do Embrião: origina
a gastroderme, com células epitélio-digestivas (ou miogástricas), pois além de
realizarem a disgestão, realizam também movimentos.
Ø O corpo do cnidário é
revestido externamente pela epiderme;
Ø A cavidade interna, onde
ocorre a digestão e a absorção do alimento, a cavidade gastrovascular, revestida pela gastroderme;
Ø Entre a epiderme e a
gastroderme, unindo-as situa-se a mesogleia
(suporte físico ao corpo: esqueleto elástico e flexível), massa gelatinosa
secretada por células das duas camadas que a revestem.
*EPIDERME
- células mioepiteliais
epidérmicas: Além de servir de revestimento, possibilitam a contração do corpo;
- células intersticiais:
localizam-se entre as mioepiteliais. São células totipotentes, participando do
crescimento e dos processos regenerativos;
- células sensoriais: captam
estímulos ambientais e os transmitem às células nervosas na mesogleia;
- células glandulares: da
epiderme e da gastroderme, secretam muco, cujo papel é lumbrificar o corpo,
protengendo-o.
- cnidoblastos (ou células urticantes): distribuídos por toda a
epiderme, concetrando-se nos tentáculos e ao redor da boca. Seu interior tem
uma cápsula, o nematocisto,
que contém um líquido tóxico mantido sob pressão. A célula prolonga-se por um
filamento urticante, enrolado e invertido sobre si mesmo. Tem Cnidocílio – Uma
expansão em forma de dente que se comporta como um gatilho, disparando o
nematocisto. E, após o disparo, novos cnidoblastos são formados a partir de
células intersticiais.
*GASTRODERME
- células mioepiteliais:
alongadas e sua base livre, voltada para a cavidade gastrovascular, apresenta 2
flagelos. As ondulações flagelares movimentam o conteúdo da cavidade
gastrovascular, facilitando a mistura dos alimento com as enzimas da células
glandulares. Suas células também têm fibrilas contráteis (contrem) e participam
da absorção e da digestão intrecelular dos alimentos.
3. Reprodução
- ASSEXUADA:
BROTAMENTO - Em certos pólipos de
hidrozoários e antozoários formam-se pequenos brotos que se soltam, originando
indivíduos independentes, ou permanecem anexados, formando colônias.

- SEXUADA:
·
Todos os grupos de cnidários têm reprodução
sexuada, existindo tanto espécies monoicas (hermafroditas) como dióicas (sexos
separados);
·
Diversas espécies com fecundação externa: óvulos e
espermatozoides são liberadospelos genitores e a fecundação ocorre na água. Mas
há também espécies com fecundação interna: os óvulos retidos dentro do corpo da
fêmea (cavidade gastrovascular), onde são fecundados pelos espermatozoides que
penetram pela boca (única abertura/cumunicação do corpo ao meio externo).
·
O desenvolvimento direto, sem estágios larvais,
ocorre em poucas espécies. Nele, o óvulo permanece unido ao corpo da “mãe”,
onde é fecundado e se desenvolve até formar um pequeno embrião, que se solta da
mãe e forma um ser semelhante aos pais (isso ocorre, na maioria das vezes, em
espécies de hidras);
·
No ciclo de vida da maioria dos hidrozoários,
cubomedusas e cifozoários, percebemos a metagênese
(alternância de gerações medusoide e polipoide), na qual tem-se indivíduos
haploides e diploides no ciclo repordutivo.
Ø Do pólipo “mãe”, surgem pequenas
medusas de forma assexuada, que possuem vida relativamente curta;
Ø São dioicas e são elas
que proporcionam o processo de reprodução por gametas nas espécies
(fecundação);
Ø Após se reproduzirem
sexuadamente, surge um embrião. Este se desenvolve até originar uma larva
(larva plânula) que se fixa no substrato e começa o seu amadurecimento em
formato de pólipo, recomeçando o ciclo reprodutivo.


4. CLASSIFICAÇÃO
·
Hydrozoa (hidrozoários)
Ø Maioria vive em água salgada e
a forma polipoide é a prodominante no ciclo de vida;
Ø Muitos deles formam colônias
centenas, até milhares de indivíduos, cada um com a sua especialidade (função);
Ø Exemplos mais conhecidos são a
caravelas-portuguesas, animais do género Physalia caracterizados pela
enorme capacidade de flutuação. Como trata-se de uma colônia, o indíviduo que
mais chama a atenção é, com certeza, o flutuador, um pólipo altamente
especializado que mantém a colônia na superfície da água.
Ø Ligados ao pólipo flutuador,
evidenciamos certos “filamentos”, pólipos em formato de tentáculos com variadas
funções, como: alimentação; defesa; reprodução.
![]() |
| hidrozoário |
·
Scyphozoa (cifozoários)
Ø Cnidários marinhos cuja forma
medusoide predomina no ciclo de vida;
Ø Tamanhos variam desde 2 cm até
4 metros de diâmetro, com tentáculos podendo atingir a marca de 40 metros de
comprimento;
Ø Exemplos comuns são as
próprias águas-vivas que presenciamos nas praias em determinadas épocas do ano.

·
Cubozoa (cubozoários)
Ø Cnidários marinhos cuja forma
medusoide predomina no ciclo de vida;
Ø A medusa desses cnidários
lembra um sino de forma cúbica;
Ø Tentáculos situados nos “vértices”
das bordas do corpo;
Ø Cnidoblastos muito potentes,
com toxinas poderosas e mortais;

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| cubozoário - podemos ver a sua forma "cúbica" |
·
Anthozoa (antozoários)
Ø Os mais conhecidos são as
anêmonas-do-mar e os corais, exclusivamente marinhos, cuja forma de vida é a
polipoide, unicamente;
Ø Anêmonas-do-mar são pólipos
que habitam desde a zona de marés até grandes profundidades oceânicas, e são de
“pequeno porte” (existem espécies de 10 centímetros e outras de 1 metro). Além disso,
existem, também, anêmonas coloniais;
Ø Corais são geralmente
coloniais e seus pólipos lembram pequenas anêmonas. Cada pólipo armazena na
mesogleia da base do corpo substâncias calcárias que promovem sua sustentação
esquelética. Seus esqueletos, após sua morte, promovem a formação de rochas
coralíneas. Além disso, preferem águas rasas e quentes, sendo, então,
abundantes nos mares tropicais, onde formam recifes (um exemplo bem claro de
recife é a Great Barrier Reff, na Austrália, recifes de corais muito
belos e organizados);
Ø Muitos pólipos de corais têm,
no interior de suas células, algas unicelulares fotossintetizantes, as
zooxantelas (dinoflagelados, diatomáceas ou crisófitas fazem parte do grupo de
algas que os habitam), que permitem a sobrevivência desses corais em locais onde
o plâncton é escasso.

5. Referências bibliográficas





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